Depois de viver longe da família e enfrentar dificuldades de adaptação em outra cidade, Everton Dantas decidiu recomeçar e seguir a formação mais perto de quem sempre o apoiou.
Everton Dantas lidou desde cedo com a realidade de conviver com a saudade de casa e da família para correr atrás dos próprios sonhos. No último ano do ensino médio, o jovem saiu de Jamacaru, distrito de Missão Velha, para ir morar em Brejo Santo com o objetivo de completar o colegial.
Na época, ele já sabia que queria seguir na área da saúde, mais especificamente como médico ou enfermeiro. Embarcou no desafio de conciliar um cursinho pré-vestibular on-line com as aulas regulares e as dificuldades de adaptação à nova rotina.
“E lá eu troquei de escola ainda duas vezes, não me adaptei com o ensino integral, mas tentava conciliar com as aulas do cursinho. Prestei o vestibular do ENEM. Não me saí tão bem quanto eu queria, achei que eu não ia conseguir ingressar em nada. E, de fevereiro para março, eu consegui a oportunidade de ingressar no curso de Enfermagem”, relembra.
Depois de concluir um semestre, uma nova chance apareceu: uma bolsa integral pelo FIES para Medicina em Olinda, no Pernambuco. Realizar o sonho parecia significar, mais uma vez, deixar a família.
“Eu me questionei muito se era realmente isso que eu queria, conversei com os meus pais e eles disseram: Se é o que você quer, a gente lhe apoia”
Apesar da conquista, a experiência não aconteceu como imaginava. A distância de casa, os custos com deslocamento, a dificuldade de transporte e a adaptação à metodologia do curso fizeram com que o estudante passasse apenas um semestre na instituição.
Foi durante as férias que surgiu uma nova possibilidade. A mãe de Everton viu nas redes sociais o processo seletivo de transferência da UniVS e avisou o filho. Depois de entrar em contato com a instituição, ele reuniu a documentação e concluiu todo o processo em uma semana.
“O trâmite de transferência foi assim, perfeito! Em uma semana estava com tudo: processo de documentação, processo de sistema, contrato em banco”.
Mesmo precisando refazer o primeiro semestre, Everton afirma que a decisão valeu a pena. “O meu maior receio era esse, fazer o primeiro semestre de novo. Mas assim, eu percebo que aqui eu tô conseguindo absorver o conteúdo de uma forma mais clara para me tornar um bom profissional futuramente, onde lá eu estava passando apenas panos quentes nos conteúdos”, reflete, “Eu acho que essa foi a minha melhor decisão na minha vida acadêmica”.
Além da adaptação ao curso, voltar ao interior significou recuperar a proximidade da família, algo que considera essencial para seguir em frente. Everton define que estar perto de casa é 100% imprescindível, o que reflete na melhora do psicológico. “O dia que eu precisar ou que eu me sentir mal aqui, ou tiver vontade de ir em casa, aqui eu tenho a disponibilidade de ir”.
No futuro, Everton pretende fazer residência médica em uma capital, mas já sabe onde quer construir sua carreira. “Penso em exercer a Medicina na capital apenas durante a residência. Terminando esse período, volto para o interior”, conclui.