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Uma herança de família transformada em projeto de vida

Natural de Icó, José Ronaurio escolheu a Medicina Veterinária para aprofundar, por meio da ciência, o conhecimento que começou a construir ao lado do pai e do irmão mais velho.

08/07/2026 11:23 am - COMPARTILHE: - + Imprimir

O manejo do gado, dos cavalos e da reprodução animal fazia parte da rotina da família muito antes de José Ronaurio Pequeno Vidal Junior pensar em uma profissão. Em Icó, no interior do Ceará, acompanhar o pai e o irmão mais velho no campo despertou uma curiosidade que hoje ele busca compreender pela ciência, como estudante do terceiro semestre de Medicina Veterinária da UniVS.

Filho caçula entre cinco irmãos, José percorreu um caminho diferente do irmão mais velho, que aprendeu o ofício diretamente no campo. A escolha representa uma continuidade da história da família sob outra perspectiva.

“Meu pai me instigava e me incentivava a fazer parte, de sempre ficar próximo também da família. Ele era muito envolvido com isso”, relembra.

A afinidade com os animais surgiu cedo. Durante o ensino médio, cursou Agronegócio em uma escola profissionalizante, experiência que fortaleceu o interesse pela área. Quando chegou o momento de escolher uma graduação, a Medicina Veterinária já parecia o caminho natural.

A morte do pai, em 2025, deu um novo significado a essa escolha. Dar continuidade ao vínculo da família com o campo, agora como médico-veterinário, passou a representar também uma forma de honrar a história construída ao longo dos anos.

A decisão pela UniVS também foi influenciada pela proximidade com sua realidade. Além de estar localizada em sua cidade, a instituição já fazia parte do cotidiano da família por meio de uma das irmãs, que trabalha na faculdade.

O ingresso aconteceu pelo Vestibular nas Escolas. Em seguida, conseguiu financiamento integral pelo FIES [Fundo de Financiamento Estudantil], processo que, segundo ele, ocorreu de forma simples e rápida. Com a matrícula garantida, iniciou uma etapa diferente daquela que conhecia desde a infância.

Nos primeiros semestres, as disciplinas teóricas deram lugar, gradualmente, às atividades práticas, aos laboratórios e às visitas ao Hospital Veterinário. Foi nesse momento que o conhecimento adquirido em casa começou a fazer ainda mais sentido.

“Como eu já vinha com essa base de casa, eu gosto muito da parte de grandes animais. Reprodução também é uma coisa que eu acho muito massa, porque eu via meu irmão fazendo e sempre tive curiosidade de entender a ciência por trás daquilo. Mas eu não fecho as portas para nada. No curso, a gente acaba descobrindo coisas novas”, afirma.

Entre as experiências da graduação, José destaca a estrutura disponível para as atividades práticas. Para ele, a possibilidade de aplicar, logo nos primeiros semestres, o conteúdo visto em sala torna o aprendizado mais significativo.

“Os laboratórios são bem equipados e o hospital veterinário ajuda muito, porque a gente já sai da sala de aula e já vê na prática o que o professor falou. E os professores também são muito bons. Eles têm muita experiência de campo, então não fica só no livro, eles contam os casos que eles já atenderam”.

Ao olhar para o futuro, José imagina permanecer em Icó ou atuar em municípios vizinhos. A expectativa é unir a formação universitária à experiência construída pela família ao longo dos anos, aproveitando a rede de contatos deixada pelo pai e fortalecida pelo irmão no setor agropecuário da região.

Para quem pensa em seguir o mesmo caminho, o estudante acredita que a decisão deve ir além do gosto pelos animais. Segundo ele, a profissão exige disposição para lidar com pessoas, enfrentar a rotina do campo e dedicar muitas horas aos estudos.

“Eu diria para a pessoa ver se gosta mesmo de bicho e de gente também (risos), porque a gente trata o animal, mas tem que lidar com o dono. E também não ter medo de se sujar e de estudar muito, porque o curso não é fácil não, mas vale muito a pena.”


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