Depois de abrir mão do curso de Ciências Contábeis, estudante ingressou em Psicologia pelo ProUni e descobriu uma nova perspectiva para a carreira e para a própria vida.
A aprovação em uma universidade federal parecia representar o próximo passo para Maria Eduarda Pereira, depois de anos estudando exclusivamente em escolas públicas.
Mas a necessidade de deixar a família para morar em outra cidade e a percepção de que talvez já não se identificasse com a área de Ciências Contábeis, sua opção inicial, fizeram a estudante abrir mão da vaga e recomeçar.
“Por questão de ter que morar lá, foi algo que pesou pra mim, também. E meio que começou a cair minha ficha que talvez não valesse a pena, sabe?”, recorda a estudante de 20 anos, natural de Icó.
Foi quando decidiu tentar uma vaga em Psicologia na UniVS pelo ProUni, na segunda chamada do Enem. O curso, no entanto, era sua segunda opção nos processos seletivos.
“A Psicologia me deixava curiosa, mas eu nunca me vi nela. Até porque eu tinha um conhecimento muito pouco e muito do senso comum”, relembra.
Hoje, no quinto período do curso, a estudante diz que a escolha transformou a compreensão sobre si mesma e sobre a sociedade.
“Eu acho que é bem clichê você falar assim: ‘ah, eu me encontrei no curso’. Mas a Psicologia me trouxe uma outra perspectiva de mim, da sociedade, uma perspectiva crítica, uma perspectiva que eu me via inserida”, afirma.
Primeira da família a cursar Psicologia — a mãe é formada em Pedagogia —, Maria Eduarda conta que também encontrou na graduação um ambiente que contribuiu para seu desenvolvimento acadêmico e pessoal.
Ela destaca a organização da grade curricular, o apoio recebido em demandas administrativas e as oportunidades de participar de congressos, eventos e outras atividades ao longo do curso.
A mudança também aconteceu fora da sala de aula. Antes mais retraída, Maria Eduarda conta que aprendeu a construir relações, trabalhar em equipe e valorizar a rede de apoio formada pelos colegas.
“Hoje eu vejo como as amizades fazem diferença. Nos períodos de provas finais, trabalhos e relatórios, ter pessoas para compartilhar esse processo torna tudo mais leve”, resume.
A rotina, no entanto, nunca foi simples.
Atualmente, concilia as aulas noturnas com o trabalho de acompanhante terapêutica por duas horas diárias, além das atividades de estágio e ações extracurriculares. No ano anterior, chegou a trabalhar seis horas. Mesmo diante do cansaço, desistir da graduação não era uma possibilidade.
“Já pensei em sair do trabalho, mas nunca pensei em abandonar o curso”, afirma, ao explicar que precisou aprender a organizar o tempo para dar conta das diferentes responsabilidades.
Ao olhar para o futuro, diz enxergar diferentes possibilidades de atuação.
“Eu me vejo na clínica, nas políticas públicas, nos equipamentos institucionais. E como docente. O que me motiva é que a Psicologia está ganhando muita força, muito espaço, mas ela também ganha muito espaço de uma forma errônea. Então, o que me motiva é colocar em prática a Psicologia que eu estou aprendendo aqui na universidade, que os professores estão me ensinando”.