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Quem cuida de quem cuida de mim? Campanha reflete sobre a maternidade para além do Dia das Mães

UniVS propõe um olhar mais atencioso para a rotina de mulheres que conciliam trabalho, família e o ato de maternar.

08/05/2026 13:35 pm - COMPARTILHE: - + Imprimir

Neste Dia das Mães, a pergunta é: quem cuida de quem cuida de mim? Mais do que homenagens, o Centro Universitário Doutor Vale do Salgado (UniVS) convida a olhar para a maternidade, reforçando a importância de valorizar, apoiar e também cuidar dessas mães no dia a dia.

Por trás de uma rotina que nunca para, existe um trabalho silencioso e, muitas vezes, invisível. Cuidar da casa, dos filhos, da agenda, antecipar demandas, lembrar de tudo. Para muitas mães, o dia começa antes mesmo de sair da cama.

“Eu já amanheço pensando em tudo que vai acontecer. Tem dias que eu já levanto respondendo mensagem, organizando roteiro de visitas”, conta a consultora comercial e mãe de Lara Maria (11), Camila Santos. “Muita coisa eu resolvo antes mesmo de alguém pedir. Eu planejo, organizo, penso nos detalhes. São coisas que ninguém vê, mas que fazem tudo funcionar”, afirma.

A experiência de Camila não é isolada. Ela reflete uma dinâmica social construída ao longo do tempo e que ainda hoje recai, de forma desproporcional, sobre as mulheres. Segundo a professora do curso de Psicologia da UniVS, Samara Magalhães, esse padrão começa a ser estruturado desde cedo.

“Quando a gente divide o que é coisa de menino, o que é coisa de menina, a gente reforça estereótipos. E isso naturaliza que os cuidados da casa e das crianças sejam responsabilidade da mulher. E aí, o que ainda o torna invisível é porque é um trabalho não remunerado. E quando não se remunera, parece que é uma obrigação da mulher fazer”, explica.

O cuidado também desgasta

Com o passar do tempo, essa lógica se intensifica, de acordo com a professora Samara. Ela avalia que a entrada das mulheres no mercado de trabalho não veio acompanhada, na mesma medida, da divisão das responsabilidades domésticas.

“Houve um acúmulo de funções, o que chamamos de terceira jornada”, pontua a professora. “Quem vai levar ao médico, como organizar a rotina, o que precisa ser resolvido… são decisões constantes que acabam sobrecarregando essa mulher”, completa. O impacto não é apenas na rotina, mas também na saúde, diz a especialista. “A gente observa muitas mulheres adoecidas. Ansiedade, estresse e até depressão podem estar associados a essa sobrecarga contínua”.

Para além do cansaço físico, existe um outro fator que acompanha muitas mães: a sensação de nunca estar fazendo o suficiente. A avaliação é de Camila, que aparece no início da reportagem.

“Às vezes eu estou muito cansada, mas mesmo assim sinto que poderia estar fazendo mais. Parece que nunca é suficiente. Eu gostaria de não precisar estar sempre no controle de tudo”, diz, em tom de desabafo.

De acordo com a Professora Samara, esse sentimento está diretamente ligado às expectativas sociais impostas à maternidade. “Muitas mulheres se sentem culpadas ao fazer algo para si. Como se, depois que se tornam mães, esse fosse o único papel delas.”

Quem cuida de quem cuida de mim?

Se por um lado a maternidade é atravessada por amor, por outro, ela também carrega exigências que nem sempre são visíveis. Na experiência de Camila, ser mãe é, ao mesmo tempo, uma experiência profundamente afetiva e exigente.

“O que eu mais amo é o amor incondicional. Ver minha filha crescendo, aprendendo, isso é maravilhoso. O mais difícil é a responsabilidade que nunca desliga. Você está sempre preocupada, não é mais só você, você fica preocupada constantemente”, compartilha.

Diante desse cenário, um dos maiores desafios, na avaliação da professora Samara, é tornar visível aquilo que, por tanto tempo, foi naturalizado.

“São muitos paradigmas que ainda precisam ser quebrados para que essa realidade mude. É importante falar sobre suporte familiar, social e também institucional. A sobrecarga não é uma questão individual, ela é estrutural. O cuidado com a casa e com os filhos não é responsabilidade exclusiva da mulher. Quem vive naquele ambiente precisa compartilhar essas funções.”, reforça a especialista.


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